Gestão de Resíduos Sólidos em São Paulo | Desafios da Sustentabilidade Parte 1

Desafios da Sustentabilidade

26 de Junho de 2012

Alguns de nossos leitores pediram que trouxéssemos trabalhos científicos sobre Sustentabilidade e outros assuntos que envolvem o tema. Nessa busca, encontramos o artigo “Gestão de resíduos sólidos em São Paulo: Desafios da sustentabilidade”, de Pedro Roberto Jacobi e Gina Rizpah Besen, publicado em fevereiro de 2011.

Como já publicamos alguns dados sobre os número de lixões no Brasil e a quantidade de lixo produzido no nosso país, vamos nos concentrar nas informações da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e da capital. O artigo completo está disponível aqui.

Nesse primeiro post vamos abordar a situação na RMSP e as possíveis soluções apontadas pelos autores. Já no segundo, o enfoque será São Paulo, capital.

Com 39 municípios, a RMSP tem 19,7 milhões de habitantes, dos quais 11 milhões vivem na capital, sendo responsável pela produção estimada de 16.233 toneladas por dia ou quase seis milhões de toneladas por ano de resíduos sólidos domiciliares. Somente São Paulo gera 62,5% desses resíduos.

A geração média de resíduos domésticos per capita é de 0,8 kg por dia, enquanto em São Paulo, sobe para 1 kg. Uma boa notícia é que já não existem mais lixões na região e a quantidade de cidades que realizam a disposição final em aterros sanitários aumentou de 23, em 2005, para 32, em 2009. Porém ainda restam 7 cidades com destinação inadequada.

Em 2010, 29 municípios da RMSP contavam com coleta seletiva, mas em apenas sete, o sistema atendia 100% da área urbana. Em 28 deles, a coleta era realizada em parceria com organizações de catadores. A maior parte realizada em condições precárias nas ruas das cidades.

Um dos fatores que dificulta a instalação de equipamentos de tratamentos ou de disposição final de resíduos é a Área de Proteção aos Mananciais, na qual 54% da região está inserida. Com isso, as prefeituras precisam encontrar outras alternativas, que podem implicar em custos maiores ao município, já que os resíduos têm de ser enviados a lugares mais distantes.

Os autores apontam que “a ausência de uma estrutura de planejamento e gestão metropolitana dos resíduos é um dos fatores que dificultam uma ação integrada e coordenada entre os municípios e que poderiam reduzir custos ambientais e financeiros.” Apesar do investimento na construção de aterros, centrais de triagem e compostagem, na infraestrutura e capacitação dos catadores, ainda é necessário um compromisso maior dos governantes, com escolhas de baixo custo, adequadas à realidade local e com implantação de coleta seletiva com remuneração justa aos catadores de recicláveis.

Outro aspecto apontado, que precisa de solução, é a sustentabilidade financeira dos serviços prestados, já que mais de 50% dos municípios não cobram pela limpeza urbana e quando o serviço é cobrado, os valores são insuficientes. Os autores consideram esse um importante fator na conscientização e educação dos cidadãos para reduzir as quantidades de lixo produzidas e o desperdício.


Você concorda? Qual a sua opinião sobre o assunto? Qual a realidade na sua cidade?

 

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