O Brasil conseguirá ter padrão europeu de reciclagem em 2030?

Resíduos Industriais

15 de Março de 2013

A Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe) encomendou um estudo à Universidade de Utrecht da Holanda para unificar o perfil e as perspectivas dos resíduos sólidos no Brasil. O levantamento apresentou três cenários possíveis para 2030, baseado nas diretrizes da Política Nacional de Resíduos Sólidos, nas estimativas de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para o setor e no padrão da composição dos resíduos sólidos no país.

O primeiro mostra que se o cenário se mantiver igual a 2011, sem nenhuma ação, a projeção para 2030 é de que as emissões de GEE sejam de 95,5 milhões de toneladas de CO2 equivalente (tCO2e). Em 2011, 51,4% dos resíduos eram de matéria orgânica, 31,9% recicláveis e 16,7% não tinham aproveitamento. Contudo, 42,44% destes resíduos tiveram destinação inadequada e somente 3% foram reciclados.

O segundo cenário é baseado em locais onde algumas iniciativas já são tomadas e as projeções para 2030 são mais otimistas: as emissões de GEE serão de 54 milhões de tCO2e. Nesses locais 36% dos resíduos são reciclados, é feita compostagem de 53% do lixo orgânico e 83% do biogás gerado nos aterros são aproveitados para geração de energia elétrica.

O terceiro cenário projeta o Brasil de 2030 com os mesmos padrões europeus, o que significa taxas de reciclagem mais elevadas, compostagem de 80% dos resíduos de matéria orgânica, geração de energia com incineração do lixo não aproveitado, além da redução nas emissões de GEE, com a geração de até US$ 570 milhões em crédito de carbono.

 

Inovação na reciclagem

Você acredita que nosso país pode chegar lá? A resposta ainda é uma incógnita, mas pode-se dizer que as pessoas estão tentando encontrar novas formas para fazer reciclagem. Cientistas alemães descobriram que raios são capazes de separar o concreto em componentes originais, que podem ser reaproveitados, evitando a geração de resíduos.

Atualmente, o método usado produz grandes quantidades de poeira que desperdiçam grande parte do concreto triturado. De acordo com os pesquisadores do Grupo de Tecnologia de Concreto do Instituto Fraunhofter na Alemanha, com a ajuda do raio, toda a areia poderá ser reutilizada em um novo cimento. Outro benefício do método com raios é a redução das emissões de CO2, ocasionadas pela indústria cimenteira.

O que os alemães fizeram foi resgatar um método chamado de “fragmentação eletrodinâmica”, desenvolvido pelos russos em 1940, que separa o concreto em componentes únicos como pedra e cimento, por meio de descargas elétricas. Com isso, o concreto fica pronto para ser reutilizado. Agora resta saber como e quando a descoberta será trazida para o dia a dia das recicladoras de materiais da construção civil.

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