O futuro pede cidades sustentáveis

Operações Dedicadas

5 de Dezembro de 2013

Atualmente 3,6 bilhões vivem em zonas urbanas, mas em 2050, a projeção é de que mais de 6 bilhões de pessoas estarão vivendo em cidades. Mas com os centros urbanos já superlotados, qual a saída para evitar a provável escassez de água potável, de energia elétrica e outros recursos essenciais? 

Superar esses problemas é um dos principais desafios dos governos atuais e também do setor privado. E é por isso que as empresas começam a investir em sustentabilidade e também em soluções econômicas e competitivas para o futuro.

Cada vez mais elas estão descobrindo como criar valor melhorando a eficiência de recursos — com contratos de desempenho energético ou de água, entre outras estratégias para reduzir o desperdício e aproveitar o máximo dos recursos.

No Brasil, os shoppings já acordaram para essa nova realidade e estão investindo em projetos de água e energia sustentáveis e econômicos. A Nova Opersan, por exemplo, teve aproximadamente 30% das propostas elaboradas para shoppings, todas envolvendo tratamento de efluentes e centrais de água de reúso. Cada solução é projetada de acordo com as necessidades de cada cliente e “a economia no consumo de água pode chegar a 40%, com impacto direto sobre os custos operacionais do empreendimento. Resfriamento de sistemas de climatização, limpeza de pisos e telhados, sanitários e irrigação de jardins são pontos onde a água de reúso é, hoje, obrigatória”, explica Sérgio Werneck Filho, CEO da Nova Opersan.

Entre os projetos, um shopping localizado na região de Itaquaquecetuba (São Paulo) vai recuperar e reutilizar 100% dos 60 milhões de litros/ano de consumo de água previsto, ou seja, será atingido o índice de descarte zero de esgoto.

Projetos como esses são complexos e exigem tecnologias sofisticadas para serem viáveis. Como a “membrane bioreactor” (MBR), sistema físico de separação da matéria orgânica da água que possibilita a instalação de estações de tratamento 30% a 50% menores. “Com isso o espaço do empreendimento, pode ser destinado a funções mais importantes como área que pode ser locada e estacionamento”, afirma Fabrício Drumond, diretor-comercial da Nova Opersan.

 

Eficiência no mundo

Na Índia, onde 150 milhões de pessoas não são atendidas pela infraestrutura existente de fornecimento de água potável, a pequena empresa Sarvajal combina velhas e novas tecnologias com engenharia financeira para fornecer água limpa de forma eficiente. Unidades de purificação por radiação ultravioleta (UV) e osmose reversa estão no cerne do sistema da Sarvajal, mas a empresa combina essas tecnologias convencionais com um monitoramento remoto via “nuvem” (para coletar dados de desempenho do sistema em tempo real) e máquinas automatizadas que liberam água ao deslizar de um cartão pré-pago. Enquanto o cidadão pode comprar água nesses “caixas eletrônicos”, a Sarvajal abastece hospitais e outras instituições em centros urbanos por meio de microrredes de distribuição.

A empresa ainda adota um modelo de franquia e já conta com mais de 150 empreendedores que já venderam mais de 200 milhões de litros de água potável em seis estados da Índia. A solução atende uma demanda do cidadão e também elimina o desperdício.

 

Oportunidade na eficiência

John D. Macomber em um artigo para a revista HBR sugere uma “matriz da eficiência” para situar o que a empresa faz. Segundo essa matriz, a sofisticação tecnológica vai subindo da esquerda para a direita; a sofisticação financeira, de baixo para cima. Soluções comoditizadas e de baixa tecnologia, como a obtenção de isolante térmico numa transação simples de compra e venda, cairiam no quadrante inferior esquerdo. Já programas sofisticados, como a otimização da resposta da demanda (“demand-response”) na eletricidade, ficariam no canto superior direito.

matriz da eficiência resized 600

“A matriz serve para determinar a posição estratégica atual de produtos, serviços e investimentos da empresa, mas seu grande valor está em ajudar a apontar rumos possíveis e rentáveis para a empresa. É possível gerar um novo valor, e se apropriar dele, com o deslocamento horizontal ou vertical dentro de qualquer quadrante. Já empresas que migram o modelo de negócios e produtos ou serviços para o quadrante superior direito teriam o máximo a ganhar — e também o maior impacto sobre necessidades de recursos de cidades mundo afora. Muitas vezes, isso significa exercer o papel de coordenador ou descobrir como financiar um serviço — algo que atores isolados não têm como fazer sozinhos. É nesse quadrante que produtos ou serviços de uma empresa são mais diferenciados, favorecem soluções multilaterais e têm a maior chance de criar valor para todos os envolvidos”, explica Macomber.

 

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