Israel: O país onde nenhuma gota de água é desperdiçada

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8 de Maio de 2014

Israel já enfrentou anos consecutivos de seca e escassez de água, e com isso tornou-se um grande exemplo global. Na batalha para diminuir a crise hídrica no país, Israel tem desempenhado grande iniciativa, ao construir 225 reservatórios para recolhimento de água pluvial e água de reúso.

Dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que a demanda mundial de água deve aumentar 55% até 2050. Dentre as principais causas para este aumento, além do crescimento da população, estão o uso desenfreado do recurso, a poluição de rios e mares e a distribuição desigual.

Diante deste quadro alarmante, vale ressaltar que a escassez da água já é uma realidade em diversos pontos do planeta, sendo o Oriente Médio a região em que a situação é mais grave.  Em meio à problemática, no entanto, Israel se destaca como o país com melhor exemplo existente de reaproveitamento da água em todo o mundo - o local não desperdiça, literalmente, nenhuma gota d’água, isto porque está localizado em uma área em que este recurso natural é tão valioso quanto o petróleo.

Escassez e conflito histórico: uma situação delicada

O Rio Jordão é praticamente a única fonte de água para Israel e Jordânia. Historicamente, a água tem sido um dos motivos de briga entre os países, mas um pacto travado para o abastecimento tem mantido o conflito sob controle. Neste cenário, israelenses, palestinos e jordanianos fecharam um acordo para utilizar a água do Mar Vermelho para suprir as necessidades da população, tendo em vista a situação crítica do referido Rio Jordão, que já teve um volume de água 50 vezes maior.

Em uma região desértica como o Oriente Médio, o reaproveitamento da água é palavra de ordem, e soluções criativas são sempre bem-vindas para contornar uma problemática que já se arrasta há tempos. Israel, diante deste contexto, espera chegar a 2015 livre da necessidade de fontes naturais de água para matar a sede de seus 7,5 milhões de habitantes, que sofrem por ocasião de secas recordes na última década.

 

Reúso para a irrigação da agricultura

Para se ter uma ideia, o reúso de água se tornou política nacional de Israel em 1955. O país reaproveita 75% dos seus efluentes na agricultura, e o governo impôs racionamento aos fazendeiros. Tal preocupação se justifica: a ONU estima que 70% da água usada em todo o mundo é destinada à agricultura. Israel só consegue ter plantações no deserto graças ao sistema de irrigação por gotejamento, que utiliza menos de 5% da quantidade de água necessária pelo sistema mais aplicado no resto do mundo, o de aspersão.

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Sistema de irrigação - “gotejamento”, que reduz o uso de água em cerca de 40%

 

Tel Aviv, um case de sucesso

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A cidade de Tel Aviv tem 100% da água reaproveitada: todo o esgoto é tratado e usado para irrigar as plantações no deserto, e a água utilizada para banho e descarga nas residências é tratada na maior estação do Oriente Médio, Shafdan. Depois de passar pelo tratamento (que tem etapas físicas, químicas e biológicas), o recurso percorre 100 quilômetros em dutos até chegar ao deserto de Neguev, onde irriga as plantações. O sistema existe há mais de 30 anos.

Nos domicílios do município, as torneiras têm arejadores acoplados às torneiras, o que ainda reduz drasticamente o consumo de água. Outra medida exemplar de consciência local em relação ao recurso natural é a dessalinização da água do mar, o que a torna útil para atividades humanas.

Vale ressaltar que a tecnologia israelense aplicada nas estações de tratamento de esgoto é uma das mais modernas do mundo: este fato fica destacado em Tel Aviv que, como já dissemos, tem a totalidade da sua água destinada ao tratamento e ao reúso.

 

Cenário futuro

Previsões da Organização das Nações Unidas (ONU) apontam que a água potável deverá diminuir em 60% durante este século. Ainda que na Declaração Universal da Água conste, no primeiro artigo, que “a água faz parte do patrimônio do planeta. Cada continente, cada povo, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável por ela”, esta ideia ainda não é uma realidade a nível global, o que inclui o Brasil. O país abriga 13% de toda a água potável do mundo, mas é também um dos que mais abrigam o desperdício. O equilíbrio e o futuro dependem da preservação da água e dos seus ciclos. A grande ressalva é que tudo isso está mais nas mãos do homem do que na tecnologia: o consumo consciente em Israel é um exemplo de que adotar soluções eficazes de preservação do recurso é possível em maiores proporções.   

 


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