Saiba Quais São as Consequências do Descarte Incorreto de Efluentes nos Nossos Rios e Lagos

Danos Ambientais Qualidade da água Escassez de água Lixo Industrial

10 de Junho de 2014

A cada crise hídrica, a população é convocada a economizar água para evitar consequências mais graves, como o racionamento ou mesmo a falta do recurso. Entretanto, é o setor industrial um dos maiores consumidores de água potável do mundo, representando 20% da demanda total. O problema é que nem toda a água que sai das indústrias retorna limpa para o meio ambiente. Em meio à crise hídrica, a Região Metropolitana de São Paulo insiste em poluir seus mananciais. O descarte obriga as concessionárias de saneamento a captarem água cada vez mais longe da capital a custos muito altos.

Segundo estudo elaborado pelo Grupo de Economia da Infraestrutura & Soluções Ambientais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cada hora as indústrias paulistas despejam cerca de 10 milhões de efluentes repletos de resíduos tóxicos (e sem nenhum tratamento!) em rios e lagos. Manganês, alumínio e ferro dissolvido são algumas das substâncias encontradas nas amostras captadas. Neste quadro, a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) informa que 52% das águas que monitora estão contaminadas.

Graves efeitos para o ambiente: o que os efluentes acarretam para nossos rios e lagos?

Este contexto de despejo desregrado de efluentes não tratados no meio gera consequências que são um prejuízo alarmante para os nossos mananciais, trazendo danos para o meio ambiente e à população. Vale citar, ainda, os impactos negativos na política pública (que tem gastos elevadíssimos).

De acordo com a ONU, os mais pobres são os mais afetados pela poluição das águas, já que metade da população de países em desenvolvimento está exposta a mananciais poluídos. É importante acrescentar que esta parcela da sociedade sofre com outras mazelas da problemática, possuindo menos acesso a uma água de qualidade e a um sistema de esgoto, o que traz à tona a questão da inexistência do saneamento básico em muitas regiões do globo. Neste quadro, vale destacar que as águas poluídas contêm, basicamente, dois resíduos: um deles é o orgânico, de origem animal ou vegetal (vindo de esgoto doméstico ou agropecuário) e são biodegradáveis. Em outras palavras, serão destruídos naturalmente por micro-organismos. Mas este processo acaba consumindo a maior parte do oxigênio da água, comprometendo a vida de peixes e outros seres aquáticos.

O outro resíduo, proveniente das indústrias, não é decomposto naturalmente, e contêm substâncias perigosas que matam microorganismos, plantas e animais, tornando a água imprópria para uso. Tais substâncias ficam boiando na água ou se depositam no fundo dos mares, lagos e rios, onde permanecem inalteradas, o que prejudica o equilíbrio do ecossistema aquático.

Vale ressaltar também que a poluição do recurso também acarreta graves danos para o ser humano: a água contaminada, quando ingerida ou entra em contato de outras maneiras com os indivíduos, pode causar doenças e até mesmo a morte.

Ações para reverter a situação

Diante dos inúmeros efeitos negativos do descarte de resíduos no meio, a principal e mais eficiente solução apresentada é o tratamento desses efluentes. Para tanto, as empresas dispõem das alternativas de tratar seus efluentes in loco (por meio da construção de estações de tratamento de efluentes própria) ou ainda contratar os serviços de uma empresa especializada, passando a responsabilidade sobre os resíduos para profissionais competentes da área. É imprescindível que o processo, nos dois casos, vá de encontro às normas estipuladas pela legislação ambiental.

Neste cenário, outra proposta em debate é que bancos públicos e privados comecem a exigir, como critério de financiamento, que as empresas candidatas descartem corretamente seus efluentes. Por outro lado, é importante que a sociedade cobre das autoridades  a fiscalização das empresas, e evitem ainda adquirir produtos de marcas que não são socialmente responsáveis. Tendência que já ganha espaço no Brasil, o consumo verde tem um papel de destaque a desempenhar na busca por um mundo mais sustentável.

Por fim, ter consciência acerca das graves consequências do descarte incorreto de efluentes na natureza auxilia a entender a importância do tratamento e da destinação adequados desses resíduos, alterando uma mentalidade que não considera o meio ambiente e o aspecto social para um desenvolvimento efetivo.

Sua empresa já considera o tratamento de seus efluentes como parte fundamental de um desenvolvimento sustentável? Você já conhecia a dimensão dos danos que esses resíduos não tratados podem causar ao meio e ao homem? Deixe seu comentário e participe desse debate conosco!


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