Escassez da Água: Uma problemática que afeta regiões de todo o planeta

Tratamento de Efluentes Escassez de água

18 de Junho de 2014

A menos que sejam feitos mais esforços para reverter as tendências atuais, o mundo vai ficar sem água doce. O alerta foi dado pela Organização das Nações Unidas (ONU), embasado por números catastróficos: um bilhão e 200 milhões de pessoas (20% da população mundial) não tem acesso à água tratada. Isso porque, apesar do Planeta Terra ser constituído por dois terços de água, esta parcela se encontra em forma de gelo ou é salgada, sendo imprópria para abastecimento humano. No que diz respeito ao volume potável do recurso, a irrigação na agricultura representa 73% do consumo, 21% vai para a indústria e apenas 6% é destinado ao uso doméstico.

Apesar da ONU preconizar que cada habitante deve usufruir de 110 litros de água por dia, não é o que acontece na maioria dos países. A desigualdade social, a falta de manejo adequado do bem e a ausência de adoção de soluções sustentáveis dos recursos naturais, aliadas ao crescimento populacional, à urbanização e à industrialização, também ampliam a demanda pelo recurso e agravam o panorama. O tema é tão sério que estudiosos preveem que em breve a água será a principal causa de conflito entre as nações. Afinal, a chamada “pegada hídrica” está presente em tudo o que a humanidade consome, de alimentos a roupas.

Cenário brasileiro

O Brasil conta com 12% da água doce no mundo. Em teoria, o país está numa situação bem mais confortável se comparado a outros com histórico de escassez hídrica, como Israel. Todavia, ao contrário do país do Oriente Médio, onde se reaproveita quase 100% do recurso, o desperdício de água em terras brasileiras gira em torno de 50 a 70% nas cidades. Desde a década de 90, a captação do recurso para o consumo nos centros urbanos brasileiros aumentou 25%, e a ação nem sempre é realizada da maneira adequada. A cidade de São Paulo, por exemplo, conta com bacias distantes para o abastecimento, já que a poluição tornou seus rios imprestáveis. Se por um lado faltam políticas públicas que incluam saneamento básico e abastecimento como prioridades da discussão, há também o apelo de uma maior consciência acerca do uso racional da água por parte da população, além de mais práticas de reúso no que se refere às empresas, indústrias e instituições.

Mudança de hábitos para a economia

O primeiro passo para a economia de água é a educação ambiental. Pequemos hábitos domésticos ajudam a baixar o consumo e, consequentemente, a conta do mês. Banhos mais rápidos, não lavar carros e calçadas em época de estiagem e a substituição de modelos antigos de vasos sanitários (que gastam 20 litros a cada acionamento) por outros novos (que gastam apenas 6 litros), dentre outras ações, são bons exemplos de atitudes a serem implantadas no cotidiano de todos.

No que diz respeito aos meios empresarial e industrial, o reúso do recurso se insere como alternativa urgente, e benéfica tanto do ponto e vista do meio ambiente quanto pela perspectiva dos negócios.  A água utilizada para a lavagem de pátios, para os sistemas de refrigeração de shopping centers e para os demais processos industriais, por exemplo, pode ser tratada e destinada para fins não potáveis, como limpeza de pisos, irrigação de áreas verdes ou fontes decorativas. O tratamento de efluentes também se apresenta como solução interessante para a otimização do consumo, reduzindo os efeitos negativos nos mananciais e impedindo a proliferação de doenças na sociedade. Ultrapassando os limites do segmento industrial, tais soluções podem ser adotadas  em grande escala pelas cidades, bem como a captação da água das chuvas.

Investimentos em soluções de uso racional da água e mudanças comportamentais da população podem reverter o desperdício e até fazer com que a água chegue à parcela da população que ainda não tem acesso ao recurso, minimizando os impactos da escassez a um nível local e, em maior escala, global.

 

 

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