Saneamento no Rio: problemática em evidência em plena Copa do Mundo

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1 de Julho de 2014

“Venha para o Mundial, nade com fezes”: a frase ao lado podia ser apenas um slogan de mau gosto ou mesmo mais uma piada infame que corre pela Internet. O fato é que essas palavras foram manchete: com os dizeres, o site americano Global Post apontou os sérios problemas de saneamento na cidade que sediará a final da Copa do Mundo - o Rio de Janeiro.

Apesar de explícitas em sua “denúncia”, não falta veracidade às palavras: infelizmente, contra fatos não há argumentos. Apenas 40% do esgoto fluminense é tratado, e a degradação ambiental no local avançou seriamente nas duas últimas décadas. Sofás e pneus se misturam a tartarugas mortas nas águas do Rio de Janeiro, e as consequências na saúde da população são as mais diversas: de diarreias, infecções de parasitas e leptospirose às doenças de pele. Mesmo com todos esses problemas, houve um corte significativo no orçamento de saneamento da cidade previsto para o próximo grande evento, os Jogos Olímpicos, em 2016: US$ 1 bilhão seria direcionado para a questão, mas apenas US$ 51 milhões serão efetivamente destinados.

As imagens espetaculares das águas da Baía de Guanabara e da lagoa Rodrigo de Freitas, que encantaram os 400 mil turistas esperados para o Mundial antes da chegada à Cidade Maravilhosa, não correspondem à realidade. A própria praia de Ipanema, grande cartão postal carioca, tem suas águas impróprias para banho.

Saneamento deficiente: padrão FIFA nas favelas?

O problema se agrava ainda mais nas favelas. Se nelas houvesse um hipotético “padrão FIFA” (assim como em outras cidades brasileiras) no quesito saneamento básico, nenhuma estaria habilitada a receber o evento. Dos municípios do Brasil, o único que se aproxima mais das condições aceitáveis é Curitiba, onde 95% das casas têm ligação de esgoto. No Rio de Janeiro, para se ter uma ideia,  o maior centro de tratamento desse tipo de efluente tem operado com 50% de sua capacidade. Em Nova Iguaçu, Caxias e São João do Meriti, a situação ainda é pior, visto que essas cidades mantêm índices de tratamento de esgoto semelhantes aos aplicados há 50 anos.

Dados alarmantes

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Os últimos dados oficiais do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério da Cidade, apontam que quase a metade de tudo o que é eliminado nas descargas cariocas chega in natura em um rio ou no mar. De modo geral, o esgoto das favelas do Rio têm três destinos: os rios e canais, as praias e as galerias de águas pluviais. Não é raro ver moradores das favelas tirarem dinheiro do bolso para comprar canos de esgoto.

Mais do que impactos ambientais

Não é só a natureza e a população que sofrem com os problemas de saneamento na cidade - há também os impactos econômicos. A universalização dos serviços de água e esgoto poderia reduzir o número de faltas no trabalho em 23%, aumentando os ganhos em R$ 258 milhões ao ano. A massa de salários, ainda,  poderia subir 6,1% ou R$ 105,5 bilhões, fora os benefícios nas áreas de educação e turismo. Os dados são frutos de uma pesquisa do Instituto Trata Brasil em parceria com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

A grande necessidade do saneamento já fica evidente na sua própria denominação: referido como “básico”, esse serviço é condição mínima para a promoção de uma vida digna para a população, além de critério imprescindível para a preservação do nosso grande patrimônio natural - a água. Atualmente em projeção global com a Copa do Mundo, o Rio - e, em maior escala, o Brasil - mancha sua reputação de “cidade maravilhosa” com a questão tão negligenciada do saneamento básico, apontando para a necessidade urgente de medidas governamentais.

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