Você já ouviu falar sobre a Ilha do Lixo?

Plano de Gestão de Resíduos Descarte de Esgoto Lixo Industrial

3 de Julho de 2014

O cenário parece mais um filme-catástofre representando o apocalipse. Mas, na verdade, é ainda mais triste por tratar-se de realidade, o que faz da Ilha do Lixo fonte de preocupação de ambientalistas de todo o mundo. Chamada também de Sétimo Continente, essa “ilha” está localizada entre as costas da Califórnia e o Havaí, e é composta por cerca de quatro milhões de toneladas de material plástico como garrafas, embalagens, sacolas e demais fragmentos. Sua profundidade chega a 10 metros e o espaço ocupado é de 700 mil metros quadrados, o equivalente aos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo juntos.

Descoberta por acaso pelo oceanógrafo americano Charles Moore, em 1997, a Ilha do Lixo está no coração do Oceano Pacífico e tem o aspecto de uma grande sopa plástica que abriga dejetos vindos de navios ou plataformas petrolíferas (20% do volume de lixo) e o restante de terra firme (80%). Estima-se, inclusive, que 10% das 100 milhões de toneladas de plástico consumidas no mundo acabam no mar. Apesar das estatísticas alarmantes, a Ilha do Lixo não tem recebido tanta atenção por dois motivos: primeiro, está localizada em um trecho de pouca navegação comercial e de turismo; segundo, porque o lixo, por ser translúcido, não é visível nas fotografias via satélite.

Tragédia quase transparente

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O plástico é o verdadeiro ator da tragédia silenciosa do Oceano Pacífico, pois demora centenas de anos para se degradar: foi descoberto que as sacolas plásticas de supermercado representam 26% do lixo ali acumulado. Vale lembrar que uma simples garrafa plástica jogada na rua pode ser varrida pela chuva, entrar nas galerias pluviais das cidades e chegar até o mar, desembocando no oceano. No caso da Ilha do Lixo, os dejetos viajam até a região conhecida como Giro do Pacífico Norte e as correntes marinhas impedem que se dispersem. Se os consumidores não reduzirem o uso de plástico descartável, a sopa do Pacífico poderá dobrar de tamanho na próxima década. O próprio descobridor da Ilha do Lixo, Charles Moore, era herdeiro de uma família que fez fortuna com o petróleo, mas ficou tão impressionado com a visão daquele verdadeiro “lixão no oceano” que vendeu a sua participação acionária e tornou-se ambientalista.

Problema pode chegar à sua mesa

Apesar de estar longe dos olhos de grande parte da população mundial, a Ilha do Lixo já gera seus reflexos e alcança a mesa de muitas pessoas. Os animais que habitam o local acabam se alimentando dos resíduos e algumas espécies, devido à ingestão dos dejetos, até sofrem mutações. Há também as toxinas que se acumulam ao longo da cadeia alimentícia, que fazem com que os resíduos de plástico cheguem ao ser humano através da alimentação.

Neste ciclo negativo que já traz sérios desdobramentos, a interferência humana afeta os oceanos por meio da poluição nos mares, causando a acidificação das águas, o surgimento de zonas mortas (há 50 anos eram três, hoje são 150), o desaparecimento de mamíferos, a concentração de águas tóxicas e a destruição do assoalho marinho: em suma, ocasiona o fim de todo um ecossistema oceânico.

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Morte nas águas

Por fim, cabe citar mais um dado preocupante: segundo o Programa Ambiental da Organização das Nações Unidas, a ONU, os entulhos plásticos são responsáveis pela morte de mais de um milhão de pássaros e cem mil mamíferos marinhos por ano. Em muitas das vezes, os animais morrem com resíduos de plástico em seu estômago ou presos no material.

É extremamente importante realizar o descarte correto do lixo reciclável e a compostagem de resíduos orgânicos. É possível fazer parcerias com cooperativas de reciclagem e até produzir seu próprio adubo orgânico. Já existem empresas, como a Tera Ambiental, que possui essa expertise.

E você, já havia ouvido falar sobre a Ilha do Lixo que existe em pleno Oceano Pacífico? Mais uma vez, a informação é o caminho para uma mudança no estilo de vida de todos, apontando para mais consciência no descarte e na destinação dos resíduos e também para a preservação das águas oceânicas e das formas de vida ali existentes. Compartilhe este artigo e ajude a disseminar a ideia!

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