Alterações climáticas e ação do homem: saiba por que o litoral do Brasil está mudando

Licenciamento ambiental Danos Ambientais Qualidade da água Escassez de água

15 de Julho de 2014

A elevação do nível do mar, a mudança no regime de ventos e, principalmente, a ação do homem estão transformando o desenho do nosso litoral. Esses são os principais fatores apontados pela pesquisa “Vulnerabilidade da zona costeira dos estados de São Paulo e Pernambuco: situação atual e projeções para cenários de mudanças climáticas”, desenvolvida por meio de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

O estudo durou três anos, e seu objetivo central foi entender como as chamadas “condições forçantes” estão sendo intensificadas com as mudanças climáticas, assim como investigar o que mais interfere na mudança do desenho do litoral brasileiro. As “condições forçantes” se referem aos elementos naturais que influenciam nas alterações das praias, como o regime de ondas e o nível do oceano.

A culpa maior é nossa

Uma das conclusões dos pesquisadores é que, em algumas regiões, a ação do homem interfere mais no redesenho do litoral do que as próprias mudanças climáticas. Um exemplo é a impermeabilização do solo para a ocupação desordenada que pode gerar erosões em algumas regiões e o acúmulo de sedimentos em outras.

Cumpre ressaltar, no entanto, que isso não significa que a interferência das mudanças climáticas não foi percebida. A modificação do regime de ventos interfere nas ondas, e esse fenômeno transforma a movimentação dos sedimentos na costa, assim como a elevação do nível médio do mar faz aumentar a incidência de erosões em locais onde, em um primeiro momento, nem se chegava a onda. Ou, até mesmo, levar a ocorrência de inundações em determinadas regiões.

Base de dados diversificada, resultados qualificados

Como base para coleta de dados, foram estudadas as praias paulistas de Ilha Comprida, no município de mesmo nome, e de Massaguaçu, em Caraguatatuba, e as pernambucanas praia da Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, e praia do Paiva, em Cabo de Santo Agostinho. O critério dos pesquisadores foi usar analisar tanto praia urbanas, quanto menos habitadas.

Além de informações coletadas em campo por meio de levantamentos batimétricos e hidrodinâmicos, Eduardo Siegle (da USP) e Tereza Araújo (da UFPE), debruçaram-se sobre 40 anos de uma série de imagens aéreas das praias em análise. Com esse montante de dados, foi possível estabelecer indicadores e avaliar a variação de cada um deles.

Foi possível constatar, por exemplo, que faixas de areia mais largas tendem a ser mais estáveis que as estreitas, portanto menos vulneráveis. A presença de vegetação bem desenvolvida nas proximidades da praia está associada a baixa erosão. A permeabilidade do solo está relacionada à vulnerabilidade à inundação, entre outras conclusões. Um dos indicadores de maior destaque no aumento da vulnerabilidade das praias, segundo a pesquisa, é a taxa de ocupação da cosa, justamente, porque ela acaba influenciando muitos outros.

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