Conheça os cursos d’água mais afetados pela seca de 2014

Reaproveitamento de água Qualidade da água

27 de Novembro de 2014

A seca é o desastre natural que mais mata, segundo a ONU. Mas ao contrário de terremotos, enchentes e furacões, ela se instala lentamente, é previsível e portanto pode ter seus efeitos mitigados. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), mais de um bilhão de pessoas sofre com escassez de água, estatística que este ano e nos próximos infelizmente será acrescida de muitos outros brasileiros. Neste ano a estiagem no Nordeste e no Sudeste levou à redução na produção de grãos e outros alimentos. Famílias em São Paulo viram-se desabastecidas de água durante a noite. Faltou água até nos bares que foram os mais populares na Copa do Mundo. Por causa de toda a atenção da imprensa, o sistema Cantareira é o que mais aparece como afetado pela seca de 2014. Mas onde mais a estiagem está forte? Conheça os cursos d'água mais afetados.

Uma seca milenar

Uma seca como a que ocorre em São Paulo nunca foi vista no estado por quase ninguém vivo — ou por ninguém mesmo. Dependendo de para quem se pergunta, esta é a pior estiagem desde 1930, ou até mesmo em mais de 3.000 anos. A constatação é de um relatório técnico produzido com base na série histórica de chuvas registradas em quatro estações pluviométricas da região onde ficam os rios e represas que compõem o Sistema Cantareira. Segundo o relatório, com exceção da estação em Nazaré Paulista, onde fica a Represa Atibainha, todos os outros pontos registraram período de retorno do volume de chuva superior a 1.000 anos — quer dizer, demoraria mais um milênio para voltar a chover tão pouco.

Na região de Rio Preto: queda de 73%

Biólogos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) coletaram amostras em 54 nascentes na região de Rio Preto em 2003 e retornaram aos mesmos locais dez anos depois, com constatações alarmantes. Dez dos córregos haviam secado por completo e outras 34 nascentes estavam com nível de água igual ou inferior à metade do que fora coletado antes. Apenas três nascentes estavam com mais água do que dez anos atrás. O sumiço dos riachos afetou a região de Grande, Turvo e São José dos Dourados. Somado, o volume de água das 54 caiu em 73%.

Na rota da seca: sem água, sem aulas

Um levantamento do programa “Bom Dia SP”, da TV Globo, mostra que 54 dos 282 municípios não atendidos pela Sabesp estão realizando cortes no fornecimento de água. Em Cristais Paulista, crianças ficaram sem aula por 10 dias, já que não há água nos banheiros ou para fazer a merenda. Na cidade de Bebedouro, ironicamente, uma rádio chega a sortear galões d’água (o grande prêmio: 50 galões, 1.000 litros). O rio Mogi Guaçu está com nível tão baixo que dificulta a reprodução dos peixes em Pirassununga, uma atração turística do distrito de Cachoeira das Emas. Já a prefeitura de Tambaú decretou calamidade pública em agosto por causa da seca.

Em outros estados: seca nacional

Com exceção das fortes chuvas nas região Sul, o cenário para a maior parte do Brasil neste ano é de seca. O Rio Paraíba do Sul, que abastece 15 milhões de pessoas nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, nunca esteve tão mal: a represa de Paraibuna estava com 12% da capacidade em agosto. A Barragem de Três Marias chegou a menos de 3% da capacidade e por causa disso um trecho de 40 quilômetros do São Francisco corre risco de secar. De fato, a estiagem secou mais de 70% dos cursos d'água no norte de Minas Gerais, e também a nascente do São Francisco, na Serra da Canastra. O Nordeste também registra centenas de cidades em dificuldades por causa da estiagem, 176 delas apenas no Ceará.

Consequências econômicas

Além do impacto na vida das famílias, a seca também já prejudica a atividade econômica do Brasil. A produção de alimentos caiu 4% em setembro de 2014 e a indústria já acumula um recuo de quase 3% no acumulado do ano. A falta de chuvas também prejudicou a geração das hidrelétricas, forçando o governo federal a autorizar a ligação das termelétricas, mais poluentes e caras.

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