Um dos dilemas mais discutidos atualmente gira em torno dos recursos hídricos. A alternativa para evitar esse cenário seria investir na água de reúso?
De fato, a crise hídrica global já é uma realidade preocupante, tanto que quase metade da população mundial enfrenta grave escassez de água em pelo menos uma parte do ano, e um quarto dos habitantes do planeta, distribuídos em 25 países, sofre com níveis extremamente altos de estresse hídrico, utilizando mais de 80% de seu suprimento anual de água renovável.
A crescente demanda por esse recurso essencial, como o aumento populacional, a urbanização acelerada e o alto consumo nos setores agrícola e industrial, ainda intensifica o panorama, especialmente porque a agricultura já é responsável por aproximadamente 70% das extrações de água doce, seguida pela indústria, que consome cerca de 20%. Além da limitação na disponibilidade, a distribuição também agrava o quadro: segundo dados da Organização Meteorológica Mundial (WMO), cerca de 70% da água do planeta é armazenada em forma de neve ou gelo, tornando-se inacessível para grande parte da população.
Diante desse contexto alarmante, garantir um uso sustentável se tornou um dos maiores desafios da atualidade, exigindo soluções inovadoras e eficazes para a preservação das fontes naturais ⎯ e uma das estratégias mais eficientes para mitigar esse problema é realmente o reúso da água.
Sendo a indústria a segunda maior consumidora hídrica, o reúso se torna uma opção eficiente para o setor justamente porque ele permite reaproveitar águas residuais geradas nos próprios processos produtivos.
Isso significa que o recurso já utilizado seja tratado e aplicado novamente em diferentes finalidades, essa prática contribui significativamente para a redução da demanda sobre fontes naturais, minimizando os impactos ambientais, além de promover maior segurança hídrica.
O sucesso da alternativa está em implementar um processo eficaz para viabilizar o reaproveitamento, que envolve etapas de captação, tratamento e reintrodução dos efluentes tratados em novas atividades. Cada empresa pode ter suas particularidades no processo de reúso, mas basicamente, ele acontece em 4 fases:
A primeira etapa envolve a identificação, coleta e captação nas fontes geradoras da companhia, que são passíveis de reaproveitamento:
Após a coleta, o recurso captado passa pelo tratamento primário, que tem como principal objetivo a remoção de partículas sólidas e materiais grosseiros. Alguns processos comuns aqui são o gradeamento e o peneiramento, que removem os resíduos maiores. Em seguida, o líquido passa pela decantação, onde os sólidos sedimentáveis são separados por ação da gravidade.
Outro método que também pode ser aplicado é a flotação, técnica que emprega microbolhas para remover óleos e gorduras presentes nos efluentes, melhorando sua qualidade para as etapas seguintes.
Depois, essas águas residuais passam por processos biológicos para remoção da matéria orgânica e de outros contaminantes que comprometem sua qualidade para novas aplicações.
Uma das técnicas mais eficazes é o uso do processo de lodos ativados, em que os microrganismos degradam a matéria orgânica presente no recurso reduzindo os contaminantes.
Outra opção é o emprego de reatores biológicos anaeróbios, que utilizam bactérias para converter a matéria orgânica, podendo gerar energia elétrica através do biogás.
A última etapa do processo de reúso envolve tecnologias mais avançadas para garantir a qualidade final do recurso, tornando-o apto para novos usos industriais. Aqui, as opções mais indicadas são:
É importante lembrar novamente que cada tipo de efluente terão características próprias, que variam conforme o segmento da empresa, o processo originário, entre outros. Logo, as etapas a serem seguidas para viabilizar o reúso devem ser determinadas com base nesses fatores, afinal, a depender do nível de contaminação e das finalidades aplicadas, podem ser necessárias mais ou menos etapas tecnológicas.
Com todas as possibilidades que o reúso traz, as indústrias passam a transformar o que antes era apenas resíduo em um recurso útil para diversas aplicações, abrangendo tanto atividades mais simples, quanto processos mais específicos. Veja só:
Se tratando de aplicações menos nobres, a água de reúso pode ser utilizada em irrigação de jardins, lavagem de pisos e para descargas sanitárias, eliminando a necessidade de captação do recurso na natureza.
Em processos industriais, a água de reúso pode alcançar padrões de qualidade adequados para aplicação em torres de resfriamento, caldeiras, lavagem de equipamentos e etapas produtivas. Além disso, setores que lidam com componentes eletrônicos ou determinados produtos químicos demandam água de alta pureza para evitar contaminações e garantir a integridade do produto final. O reúso também viabiliza esse nível de purificação, especialmente através da osmose reversa, que pode gerar um recurso com qualidade até superior ao fornecido por concessionárias públicas.
Investir no reuso é uma estratégia essencial para empresas que buscam otimizar suas operações, minimizar custos e atuar de forma mais sustentável.
Isso se dá porque a reutilização de águas residuais resulta em uma redução expressiva no uso do recurso natural, o que alivia a pressão sobre as fontes primárias e diminui o descarte de resíduos na natureza, preservando a qualidade dos corpos hídricos. Sem contar que, em regiões onde a escassez é uma preocupação crescente, as indústrias ainda garantem uma maior segurança para as suas operações.
Complementarmente, o reaproveitamento traz vantagens financeiras. Com a redução da dependência das empresas de abastecimento, consequentemente, os gastos com a conta de consumo caem. A exemplo, um negócio de médio porte pode chegar a reduzir em até 50% a dependência e os custos associados à captação de água potável.
Outro fator importante é a melhoria de imagem, já que a organização passa a implementar a sustentabilidade hídrica, tendo mais facilidade para cumprir suas metas ESG, além de ganhar destaque perante consumidores conscientes e stakeholders que prezam por ações que estão relacionadas à economia circular, afinal, o reúso é uma maneira de fazer a circularidade presente na cultura corporativa.
Leia mais:
O sucesso do reaproveitamento e o alcance dos benefícios que essa alternativa traz, depende da elaboração de um projeto bem estruturado e alinhado à realidade de cada organização, bem como da escolha de parceiros experientes para viabilizar sistemas eficientes.
Nesse cenário, com mais de 40 anos de experiência em projetos ambientais, a Opersan já é referência no assunto, oferecendo soluções integradas, eficientes e economicamente vantajosas para gestão de águas e efluentes em diversos segmentos de mercado.
Nossos modelos de negócios abrangem o projeto, a construção e/ou a operação de ETEs e ETAs equipadas com tecnologias de reúso para que os resíduos líquidos gerados pela própria indústria sejam tratados por métodos avançados com sistemas de membranas de ultrafiltração e osmose reversa, até atingirem padrões de purificação que o transformam em um recurso útil para novas aplicações.
Quem conta com a Opersan tem a garantia de um fornecimento contínuo de água, mesmo em regiões com escassez hídrica; além de minimizar seus impactos na natureza e evitar problemas operacionais causados por impurezas, já que mantemos um rigoroso padrão de qualidade para gerar água de reúso própria para usos industriais e comerciais.
Portanto, se você deseja implementar o reúso no seu negócio e se tornar uma empresa que adota a sustentabilidade hídrica e economicamente vantajosa, entre em contato com nossos especialistas e solicite um diagnóstico gratuito.